11/06/2021

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O cenário de pandemia acarretou consequências consideráveis no âmbito trabalhista, como flexibilização temporária de alguns campos da CLT e medidas de preservação do emprego e da renda perante o estado de calamidade pública. Além disso, as empresas também precisaram buscar novas formas de estruturar o trabalho para conter a propagação do coronavírus, que vem a ser a principal, o distanciamento social. Com isso, o teletrabalho provou ser um grande aliado da manutenção dos empregos e das atividades, principalmente da área de serviços administrativos e/ou jurídicos, sendo flexibilizado pela medida provisória 927, publicada em 2020 e atualmente na medida provisória 1.046, publicada em 2021. Sendo uma providência satisfatória para estruturar o trabalho durante a pandemia, surgem os questionamentos a respeito de sua eficiência no rendimento e na gestão dos recursos humanos.

Segundo uma pesquisa nacional do DataSenado, realizada em 2020, sobre teletrabalho, 41% dos entrevistados alegaram que sua produtividade aumentou, 38% permaneceu igual e 19% diminuiu. Com relação à vida pessoal, 49% informaram que seu bem-estar aumentou e 26% alegaram que diminuiu. Percebe-se que há grandes vantagens a serem exploradas no trabalho remoto, bem como dificuldades a serem atenuadas, e uma delas é o colaborador conseguir separar o âmbito pessoal do profissional estando em casa, pois, muitas vezes, as rotinas domésticas podem acabar se misturando com os fluxos do trabalho, atrapalhando o foco nas tarefas. Não possuir um espaço adequado em casa também pode ser um impeditivo para uma boa produtividade e fatores externos como vizinhos ou ruídos também influenciam na concentração, haja vista que o teletrabalho coloca, em parte, a responsabilidade no trabalhador de construir um espaço adequado e saber lidar com esses elementos.

É um desafio tanto para a empresa quanto para o colaborador realizar a gestão dessa modalidade laboral, visando valorizar os pontos positivos e atenuar os pontos negativos. Pode-se apontar que a não necessidade de deslocamento, a maior proximidade com a família, a flexibilidade em poder trabalhar em casa ou na residência de outrem, a comodidade do funcionário poder executar suas tarefas em um centro de trabalho que ele mesmo montou e organizou, de acordo com o que ele considera mais cômodo e, até mesmo a economia em vale-transporte (6% sobre o salário bruto), são fatores que aumentam a qualidade de vida do colaborador.

Em ambientes de teletrabalho a gestão do conhecimento deve ser fomentada, pois ensinar à distância, principalmente tarefas mais operacionais, é mais dificultoso, demandando de quem está ensinando uma ótima comunicação e recursos digitais visuais bem estruturados e que facilitem o entendimento. Por isso, ter um plano para treinamento e desenvolvimento também faz parte desta gestão, pois é importante ter um fluxograma adequado aos meios tecnológicos, visando a melhor forma de integrar o novo colaborador, comunicar-se com frequência com a liderança e buscar ferramentas de e-learning (cursos à distância) são opções convenientes neste momento de isolamento para buscar crescer profissionalmente e aprimorar sua forma de atuação.

A interação é um ponto importante para ativar um ambiente de aprendizagem organizacional, é interessante que sejam propiciados momentos de conversas mais informais e reuniões mais descontraídas (como happy hours virtuais), para que os colegas criem mais intimidade e, com isso, sintam-se mais inclusos socialmente, acarretando maior comunicação entre as partes. Ademais, estimular a criação de conteúdo pelos funcionários e reconhecê-los pelas suas ideias e inovações, sempre buscando integrar isso aos meios digitais, também fazem parte de iniciativas profícuas para o trabalho remoto.

É necessário fazer a conexão da gestão de aprendizagem com o reconhecimento e aproveitamento dos pontos positivos do teletrabalho. Em face do momento como o que nos encontramos, tal modalidade, além de ser segura e conveniente, se for explorada, pode trazer grandes benefícios para os colaboradores e para as empresas, uma adaptação otimizada torna-se essencial para esse desfecho.

Autora: Antonielle Cunha – área de Recursos Humanos na Vieira Melo & Lionello.

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